segunda-feira, 30 de maio de 2016

A 25ª hora...


Meu amor, meu cheiro, meu dengo.
Alegria, alegria... Meu encanto!
Minha flor em cada canto.
Madeixas que tisnem à luz do Sol,
Que rutilam, luzindo com a Lua.
Suave pluma que ao vento flutua.
Eu te desejo o melhor dos mundos possíveis.
Que sejas simplesmente e tão somente como és
Sensível, intuitiva, prática (como pode?)... Sem viés.
Sois a dádiva que ornou a minha vida!
Feliz aniversário!


quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

89's


Fluída, de baixa viscosidade, a vida tende a escorrer entre os dedos, por mais que comprimamos as mãos, em nossas incontáveis e infrutíferas tentativas de contê-la.
Volátil, o tempo insiste em “evaporar-nos”. Delicada, a fragrância da existência esparge seu aroma único, tanto mais agradável quanto maior a admiração por aquele que o exala.
Poderia tecer infindáveis loas às tuas várias qualidades. Ou desfiar teus inúmeros enganos.
Contudo, apenas observo...
Reconheço-me nos teus erros. Vejo-te humano, como tanto te desagradas. “Aliud vitil est” – cada um tem seu defeito (Terêncio). Por que serias diferente?
Mas, comprazo-me com teus êxitos. E eles são tantos. Tento sorver o que de melhor possuis. Felicito-me na tua perene alegria de viver, de debochar da vida com escrutínio incomum.

Que a Natureza, que sempre te foi pródiga, continue ofertando-te suas benesses.

Fazer 89 anos pode ser doce, mas não é mole não...
Te amo, velho! Feliz aniversário!

domingo, 11 de maio de 2014

LEOA


Quem bem não te conhece, mal imaginaria
Do que realmente serias capaz por tuas crias
E que desta perene placidez e solicitude contente
Possas assomar-se, de repente, tal temível fera
Para, espíritos amainados, em consequentes eras
Retornares ao teu natural estado de amor, em forma de gente...

Clara & Lina, sortudas criaturas, somente por tua causa, mesmo.


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

SAUDADE

Voo de pássaros, registrados devido longa exposição.

Hoje eu vi uma andorinha, embriagar-se de luz!
Voar e voar à doidinha; e por um momento, supus
Que as pontas das suas asas, eram penas de escrever
E o céu azul sobre as casas era o papel, pus-me a ler!

Oh! Senhor, eu não me engano
No seu voar incoerente, eu soletrei de repente, uma palavra:


Saudade!

(lamentavelmente, desconheço a autoria)



Do nada, ela chega e domina.
Comprime-me a traqueia
Aperta-me o peito
E deixa tudo, na casa do sem jeito

Consola-me uma lágrima
Pois que amar, não é defeito! 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

OH, PEDAÇO DE MIM!




Quando eras ainda pequerrucha e por vezes, doentinha e os teus estados febris inspiravam cuidados, aproximava-me de ti, aflito: os teus choros sempre foram as minhas piores músicas! Impotente, agarrava-te e encostando-me à tua pele, à tua cabeça, orava silenciosamente, rogando a tua cura, suplicando para que as tuas mazelas, as tuas dores, fossem a mim transferidas, em tentativas desesperadas de te proteger de qualquer mal.
Passados todos esses anos, vejo-te, no auge destas minhas estranhas dores sobre macas hospitalares e deste medo incontrolável de me ver submetido a inadiáveis intervenções cirúrgicas, acalentando docemente o meu espírito, afagando meus cabelos, encorajando-me com palavras tão precisas e realísticas.
Débil, naquele momento, eu realmente precisava daquele sopro, daquele incentivo, daquele alento. O incrível não foi consegui-los de ti: assim eu já o esperava. Mais que tudo, foi descobrir uma fonte de respiração e de força naquele pedaço de mim; foi a sensação de, por algum momento da minha vida, ter conseguido trilhar o caminho certo.

Meu abdómen ainda dói; e deve doer ainda alguns dias. Meu coração, não! Este apenas regozija-se à minha alma, de júbilo, por ter-te!

quinta-feira, 26 de julho de 2012

MAIOR TURTLE



    


  É de notório saber que características físicas são transmitidas através do código genético por gerações, subseqüentemente. Mais recentemente, inclusive, especialistas chegaram a afirmar que mesmo os padrões comportamentais individuais sofrem, ou podem sofrer, influências de hereditariedade, que são conduzidas embutidas nos compostos orgânicos responsáveis pela expedição dos modelos sucedidos, os genes.  
     








Entrementes, a moderna psicologia e até os segmentos voltados aos estudos da espiritualidade são unânimes em afirmar que a alma humana é única e singular e tal como uma cédula de identidade, pessoal e intransferível.

     


 Analisando estas duas assertivas de antagonismo tão acentuado e observando o cotidiano de vida da minha companheira ao longo desses tantos anos, sou levado a considerar a veracidade de ambas.








    Assim como alguns de seus irmãos, Ana Lúcia herdou o espírito bonachão de seu pai. Uma essência básica que mistura simplicidade, ingenuidade e paciência. Reconheceria a paternidade deles todos, sobretudo dela, apenas pelo andar, comedido e balanceado; extremamente fiel ao original.



 Possuidora de gestos largos, como que meticulosamente estudados, ritmados até, tudo nela exprime brandura e retrata fielmente o seu espírito tranqüilo, inclusive na fala... mansa, suave, delicada.
     






  


  Não se deve confundir, todavia, quietude ou serenidade com acomodação. Ágil no agir ou no pensar quando lhe é conveniente, sempre consciente das necessidades que suas atribulações requerem e suas imediatas providências, ainda assim, lhe é quase impossível não deixar transparecer sua marca mais particular, indelével: sua leveza inconfundível.

     

  Por tudo isto, uma amiga super querida apelidou-a, numa alusão ao seu contido vagar, de tartaruga. Mas não uma tartaruga qualquer, senão a mais representativa delas: Tartaruga Mor. A “major” dos quelônios, animais de longa existência. E de similar aparente complacência.
  




  


  Evidente que o seu sossego não lhe permitiria se incomodar com a alcunha, antes pelo contrário. Pareceu-lhe carinhoso e foi adotado intimamente, desde então.

      



  Hoje temos em casa uma singela coleção desses adoráveis bichinhos, amealhados no decorrer do tempo em viagens, comprados como souvenir ou presenteados pelos mais queridos.
   



   






   
  Normalmente o vexame não lhe afeta e parece lhe ser indiferente à maioria das suas ocasiões. A celeridade, essa sim, não aparenta ser muito sua amiga. Afinal, todos sabem que a pressa é inimiga da perfeição. 

      




  Feliz aniversário, minha aquarela deslumbrante. Que tudo de bom continue acontecendo na tua vida!












Fotos by CLARA CASTELO BRANCO MOTTA

sábado, 31 de março de 2012

VALEU, MALUCO!


              Evidentemente que não conseguiríamos escapar incólumes, para todo o sempre, aos indeterminismos que o destino imputa aos seres viventes. A máxima da dádiva da vida prevalecerá, indefectivelmente, sobre a temporalidade humana: tudo que na face do planeta habita e vive, tem início, meio e fim.
     Vivenciamos, por um intervalo de tempo de uns tantos anos, uma era de ouro. Bela e feliz! Éramos maduros o suficiente para distinguir a quem nossos corações poderiam pertencer e tínhamos a sensibilidade necessária para perceber a bilateralidade que nossos sentimentos provocavam; e as simbioses quase perfeitas que daí se originavam.
     Imaginávamos, do alto das nossas ingenuidades, uma irrealidade de alegria perene e, despreocupadamente, aproveitávamos para dar vazão às nossas amizades sinceras, tão descompromissadas e genuínas, quanto alvissareiras e, sobretudo, sobranceiras.
     No fundo sabíamos que um dia, inexoravelmente, o cristal se partiria. Apenas não poderíamos supor que  fosse tão dolorido e que provocasse um vácuo tão acentuado nas nossas existências.
     Incapazes que compreendermos o real significado dos acontecimentos, ficamos a nos perguntar a razão deles. Quem determina quando, onde, como e por quê? Não há respostas plausíveis e nada do que se diga mudará a cruenta situação.  Ainda que a morte seja inerente ao processo da vida, a irreversibilidade dela nos faz imergir num universo onde o supra-realismo impera. Surpreendidos pela avalanche da eventualidade, atingimos um elevado grau de entorpecimento e tudo que conseguimos identificar dentro de nós é a saudade.
     E é em nome desta saudade que me dirijo a ti, meu maravilhoso, equânime e magnânimo amigo, como se ainda tivessem os teus ouvidos, o dom de me escutar. Como se ainda pudéssemos sonhar os mesmos sonhos. Como se nossos planos ainda lograssem se realizar. Como se esta tua tão prematura partida não conseguisse modificar o que sempre nos foi caro e comum.
     Elogiar-te é chover no molhado. Todos que contigo conviveram conhecem teus inúmeros predicados. És uma boa alma e isto é, definitivamente, imperecível. Fica o teu exemplo e através dele conseguistes te transformar no teu próprio legado. O que guardo de ti é aquilo que sempre fostes: um grande companheiro, sobremaneira, como raríssimos conseguem ser. Tenho um imenso orgulho de ter tido a oportunidade de usufruir do teu carinho. Dizem que os verdadeiros amigos contam-se nos dedos de uma só mão; pura verdade, vez que eles são poucos, necessários, essenciais.Agora sem um deles, não mais poderei viver sem me sentir como se tivessem amputado uma parte de mim.
     Os cantos da Redonda continuarão a ecoar pelos espaços opacos do tempo. O vento leste marinho permanecerá com suas rajadas frias, sobre o ambiente que tanto amavas.  A despeito da enorme tristeza que ora nos aflige, a vida continua. É a suprema lei natural a nos mostrar o quanto ela pode se revelar incognoscível.
     Como você mesmo diria:
     Foi sensacional, doido!
     Valeu, cara!
     Valeu, maluco!