domingo, 19 de junho de 2011

Sôbre a importância de ti...


Viestes, assim como hoje se repete, num domingo resplandecente, de uma alvura poucas vezes vista, desde então. E escolhestes para nascer a hora em que o Sol consegue espargir sua potência radiante com maior intensidade.
Não havia uma única nuvem nos céus naquele dia e a luminosidade, aqui normalmente tão impactante sobre os nossos cristalinos, possuía um brilho ainda mais magnífico, tornando a ocasião cintilante, até, sobretudo para mim, que vivenciava no espírito um fulgor, por aquela sensação jamais experimentada.
Porém, não foi por nada disso, em absoluto, que te chamastes Clara.
Ainda que dificilmente conseguíssemos te dar um nome tão condizente com a tua figura quanto o que para ti escolhemos, a verdade é que até o momento mágico da tua eflorescência, tanto eu, quanto tua mãe, sequer sabíamos o sexo do bebê que estava por vir. Tínhamos preferência de nomes para ambos os gêneros, mas bastou colocar os olhos sobre ti para nos convencermos, nitidamente, que você era a Clara. Recordo-me da tua mãe, embevecida, com você, pedacinho de gente, sobre o seu peito, indagando-me: - Ela não se parece com Clara? - Claro, totalmente demais.
Tua tia Maninha, em escrito que ainda guardo, disse para Ana Lúcia que ela soube como ninguém da família escolher o nome da filha: estava certíssima.
Tornartes-te, naturalmente, com o teu encanto tão peculiar, o xodó da casa, a “Princesinha de Bagdá”, a queridinha de todos. E não era para menos: sempre possuístes esta tua aura aveludada, esta leveza de espírito que chega a transmitir aos mais próximos a paz que de ti emana.
Imaginei com a tua chegada que, de uso da minha “vasta experiência”, te apresentaria o mundo, te ensinaria a viver, te converteria numa pessoa boa.
Contudo, o destino se incumbiu de mostrar-me o quanto eu aprenderia e ainda aprendo contigo. O quanto te tornarias determinante na minha existência, o tanto que irias colorir o meu caminho; o que ainda fazes com um talento prodigioso!
És, sem dúvida, o meu divisor de águas: transmutei-me como pessoa, quando você nasceu. Você foi a mola propulsora para o crescimento interno que se processou dentro do meu ser.
Faz 28 anos agora. Hoje és esta mulher glamurosa, bela, que exala simpatia e carisma por todos os poros. Mas para mim, serás sempre a Caia, a minha neguinha que eu carregava no colo, enquanto enchia de beijos o seu cangote.
Que o mundo possa te ofertar o que existe de mais maravilhoso. Que a natureza contemple tua vida com bonança, saúde e prosperidade. Possues a alma graciosa e o coração bom: é só o que importa.
Feliz aniversário, ó detentora de vastos territórios da minha essência.
Agrada-me repetir indefinidamente: te amo com tudo que posso e ser teu pai me torna mais humano!

Beijo do pai, filha linda.

Chaval, 19/jun/2011